Desvendando a pregação expositiva

O púlpito é o móvel mais importante em uma igreja ou capela. Ele foi trazido para o centro pelos reformadores, justamente para sinalizar a centralidade da Palavra de Deus no culto público.

“Homilética é a Arte, a Técnica e a Ciência de anunciar a Palavra de Deus” (Plínio Moreira da Silva). 

Contudo, pense numa arte, técnica e ciência flexível. E isto tem seu lado positivo, pois não se trata de algo rígido e mecânico, mas traz um sério risco. Estando a frente, com a Bíblia aberta e ministrando-a fielmente, seria isto suficiente para chamarmos de pregação? E, pior: de pregação expositiva?

Existe uma diferença entre pregação e sermão, que nem todos entendem ou até aceitam. É claro que neste espaço é inviável explicar estas diferenças, contudo, eis uma definição de Sermão: “Sermão é a apresentação de um conteúdo em que está presente uma pesquisa cuidadosa de um texto bíblico ou assunto, que defende uma proposta clara, fazendo uso de um tipo, simetria e método de apresentação definido”.

O Sermão Expositivo é aquele que nasce de uma exegese sadia de um texto bíblico e todas as suas partes estão dentro deste texto. 

Já o Sermão Textual também nasce de uma exegese sadia de um texto bíblico, porém, em sua estrutura, o pregador tem certa liberdade de fugir deste texto, sem abandonar o contexto.

Entenda-se por “exegese sadia”, uma interpretação bíblica na dependência do Santo Espírito de Deus, consequentemente humilde e fazendo uso de: “…leis bíblicas fundamentais de interpretação em termos simples, e, ao fazê-lo, mune de uma ferramenta funcional a todo cristão desejoso de compreender e aplicar a Escritura” – Walter A. Henrichsen, no livro: “PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA”.

E o Sermão Temático? Tão demonizado por muitos! O que é? 

O Sermão Temático, é aquele que nasce de um tema ou assunto, não tem compromisso com um texto básico, embora seja embasado completamente na Bíblia Sagrada. 

Enfim, o que faz um Sermão ser bíblico, não é o tipo, mas o próprio pregador.

E agora fica a questão para os leitores deste blog, se algo foi desvendado ou não?

Esclarecido o assunto, colocando você num contexto, munindo-o ou munindo-a de ferramentas suficientes, cada um pode chegar às suas próprias conclusões. Seja honesto consigo mesmo e submisso ao Espírito Santo de Deus.

Como bons estudantes, não se deve dar respostas prontas, exceto quando se trata dos absolutos de Deus.

Desde meados da década de oitenta, com a oportunidade de entrar para a docência dos três principais seminários aqui de Fortaleza, na cadeira de Homilética, discute-se: 

“Qual a PROBLEMÁTICA DO PÚLPITO BRASILEIRO?”.

Hoje, entende-se que esta pergunta, nunca caducou, pelo contrário, continua fortemente relevante e vital.

Israelito de Almeida Lima é Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Congregacional do Nordeste, Mestre em Teologia com especificação em Ministério pela Flórida Christian University. Leciona matérias relacionadas a Homilética, Hermenêutica, Liderança Cristã, Ética Cristã e Aconselhamento Pastoral. Serviu ao Ministério Pastoral por mais de 44 anos. Atualmente  é Pastor, em disponibilidade, e Diretor do Departamento Ministerial da Associação das Igrejas Cristãs Evangélicas do Nordeste – AICEN.

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