É desafiador pensar em um relacionamento com alguém que não é visível, nem audível, mas é crível. O homem natural certamente pode ficar assustado e incrédulo que isto sequer seja possível. E, realmente, não é tarefa fácil, nem é tarefa nossa conseguir tal feito, sem que o Espírito Santo nos convença, nos atraia e se revele a nós. Pensamos que seja necessário, pelo menos, senti-Lo, mas até isso pode ser facilmente rejeitado e menosprezado pelos não-espirituais.
O Espírito Santo parece mais com o quê?
Como podemos senti-Lo em nosso corpo?
Como O acessamos?
Não parece, mas estas perguntas não são tão difíceis de responder, pois para quem tem o Espírito Santo habitando em sua vida, se relacionar com Ele, senti-Lo e acessá-Lo é algo bem natural e corriqueiro. Não é obrigatório fazer um ritual, fechar os olhos ou colocar a mão no peito; às vezes não precisa nem mexer os lábios, Ele nos ouve e nos responde.
Logo no início, que pode acontecer no dia do batismo com o Espírito Santo ou nos momentos de profunda adoração, Ele pode parecer como um fogo vivo e vibrante dentro de você. Contudo Ele também age com poder na nossa mente e em nossas emoções, geralmente nos convencendo de pecados, atitudes erradas e nos alertando a viver uma mudança de atitude. Sua força é tão intensa que nos convence ao ponto de não querermos mais ser os mesmos, ansiamos por mudança, por entrega e por uma vida transformada.
Voltando às sensações, não espere ouvir uma voz audível, mas espere alguém gentil que fala só com você na sua mente. Faça provas se é Ele mesmo que está falando com você e irá se surpreender com o resultado. O pastor Luciano Subirá enfatiza, em sua obra Até que nada mais importe, o que ele chama de “lei da reciprocidade”, o fato que Deus nos responde ao passo que O chamamos para a nossa vida. O relacionamento com o Espírito nunca é uma via de mão única, não é só você que fala, Ele também fala. Também não espere sempre ouvi-Lo se você não tem falado com Ele ultimamente.
Sam Storms, no livro Praticando o Poder: Dando Boas-vindas aos Dons do Espírito Santo em Sua Vida, ensina que o cristão pode buscar uma manifestação mais intensa da atuação do Espírito Santo por meio da oração, do desejo pelos dons espirituais e do serviço à igreja. Para ele, os dons espirituais não ficaram restritos à igreja primitiva.
Paulo diz em 1 Tessalonicenses 5.19, para não apagarem o Espírito. Então, Existe a possibilidade de Ele ser apagado ou silenciado, motivo pelo qual precisamos nutrir uma vida de relacionamento com o Espírito Santo. Embora Ele seja Deus e tenha todos os atributos de Deus, pois é a terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo é Deus gracioso que habita no homem e o guia em toda a Verdade. Foi para isso que Ele veio, para não ficarmos órfãos ou sozinhos. Deste princípio entende-se que:
1- Somente com a minha própria força e entendimento não posso chegar ao conhecimento da verdade, eu preciso do Espírito (João 15.5; 1 Coríntios 2.10-12).
2- Quem recebe Cristo se torna filho de Deus (João 1.12).
3- Somente o Espírito Santo conhece o caminho da Verdade, que é Cristo, conforme João 14.6.
4- Se Ele está nos guiando é porque somos seus filhos, conforme Romanos 8.14-16, que diz também que somos filhos por adoção e o Espírito Santo garante essa verdade ao nosso próprio espírito.
5- Essa condução é pacífica. Não somos violentados a crer na verdade, mas somos conduzidos com amor ao caminho da obediência, conforme João 14.23-26. Inclusive, há um bônus: O Espírito também ajuda a lembrar de todas as palavras de Cristo. E isso é muito importante em todo o tempo, pois precisamos muito da Palavra de Deus, para vivê-la e anunciá-la.
Temos dois maravilhosos intercessores: Jesus e o Espírito Santo de Deus.
Conforme Romanos 8.34 e Hebreus 7.25, Jesus é nosso intercessor direto, junto ao Pai, pois Ele está à direita do Pai, ressurreto e exaltado, a continuar a sua obra de intercessão por nós. Já em Romanos 8.26-27 lemos que o Espírito Santo examina os nossos corações e, com gemidos inexprimíveis, intercede por nós, quando nós mesmos não sabemos o que e nem como pedir.
Sendo assim, precisamos manter uma vida de devoção e relacionamento com o Espírito Santo, sentindo a sua condução e desejando-a, pois se nos submetermos a Ele, certamente não vamos cair nas ciladas do Diabo, e seremos guiados ao pleno conhecimento da verdade.
Por meio da oração, nós O acessamos, fazendo tudo pela fé no Filho de Deus. Mas o que é a oração, a não ser falar com Deus, entregando, com fé, o nosso coração e o nosso intelecto a Ele? Pois bem, Davi entendeu que Deus o aceitaria novamente sempre que o seu coração estivesse quebrantado, e que isso seria melhor que milhares de sacrifícios (Salmos 51.17). É desta forma que acessamos o Deus Espírito Santo, pela intercessão feita com quebrantamento, reconhecendo a nossa condição de filhos de Deus e acreditando que somos a sua habitação. Afinal, quando Deus criou o homem e a mulher, Ele sabia que um dia iria habitar neles. Acreditamos, assim, que Deus nos criou também com esta finalidade; casa nenhuma e templo nenhum pode habitar a Deus, mas a casa que Deus fez para habitar, somos nós.
Conforme 2 Crônicas 6.18, lemos que Salomão entendeu que nem o seu grandioso templo poderia conter a Deus. Em Isaías 66.1, o próprio Deus pergunta: “Que casa vocês edificarão para mim? E onde seria o lugar escolhido para o meu descanso?”, se o céu é o meu trono e a Terra é o banquinho em que coloco os pés. Contudo, conforme 1 Coríntios 3.16 e 6.19, lemos que Deus, na pessoa do Espírito Santo, habita em nós, ou seja, Ele reside, permanece, fica e mora continuamente em nós. Isso se dá de forma pacífica, pois quando cremos em Cristo, recebemos o Espírito Santo, que passa a habitar em nós, conforme lemos Efésios 1.13-14 e Romanos 8.9. Dessa forma, passamos a viver em comunhão com Deus, não mais separados. Da mesma forma que a Igreja de Laodiceia foi alertada a abrir a porta diante do convite de Jesus para entrar, nós também cremos que, desde que recebemos e confessamos a Cristo como nosso salvador, o Espírito Santo passou a habitar, a cear conosco, e passamos a viver em um relacionamento de profunda comunhão (Apocalipse 3.20).
Então, se nunca estamos sozinhos, temos alguém em nós sempre pronto, sempre vigilante, 24 horas por dia ao nosso favor, mas não submetido a nós, porém, como um irmão mais velho que nos ajuda e orienta, como um Pai que quer o nosso bem, como um amigo que se alegra com nossas alegrias e nos consola quando estamos tristes, que também nos dá palavras de esperança quando estamos fracos, nos fortalecendo e animando o nosso ser para resistirmos firmes no dia mau.
Ele é forte, poderoso, sábio, manso, amoroso e paciente. Ele vê o que não vemos e nos alerta sobre os perigos. Ele é totalmente confiável, mesmo assim, por vezes precisamos fazer prova se o que veio ao nosso coração é a voz Dele ou a voz do nosso próprio íntimo, afinal, o nosso coração pode nos enganar, mas o Espírito Santo jamais nos enganará, pelo contrário, Ele nos sonda o coração e examina a mente, e nos recompensará conforme as nossas obras, veja Jeremias 17.9.
Sabendo da riqueza que é ser alcançado pela obra de Cristo, perdoado por Deus, transportado do Reino das Trevas e ser adotado como filhos e filhas, para viver em um Reino de Amor, que possamos também ser cheios e cheias do Espírito Santo e que desfrutemos abundantemente da relação que temos com Ele.
É SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!
Tatiana Rabelo Vieira é bacharel em Direito, graduanda em Teologia pela FCTP e gestora do Blog FCTP. Atua como Professora da EBD na Igreja Batista El-Betel, em Maracanaú.