Por Tatiana Rabelo • 26 junho de 2026 – Fortaleza, CE – Brasil
8 min de leitura
A Faculdade Cidade Teológica Pentecostal recebeu na noite desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, o Prof. Me. César Moisés falou à sociedade acadêmica, presente e virtual, sobre um tema de grande relevância para o correto estudo das Escrituras Sagradas, como é a Hermenêutica Pentecostal.
Contamos ainda com a palavra de abertura do Prof. Me. Tarcísio Pinheiro, que introduziu o tema com uma palavra encorajadora sobre a ação do Espírito Santo no cumprimento do “Ide” e na execução do mandamento de amar uns aos outros, enfatizando que o nosso verdadeiro discipulado está diretamente vinculado à ação do Espírito em nossa vida.

O prof. César Moisés iniciou a sua fala louvando a Deus pelo tempo de colheita que estamos tendo na seara do conhecimento teológico pentecostal e fez grandes apontamentos sobre a necessidade de divulgarmos e esclarecermos à Igreja o tema, para que continuemos este avanço que fundamenta e dá solidez ao que vivemos e compreendemos. Neste ponto, a FCTP tem sido pioneira no estado do Ceará como o berço da Teologia Pentecostal e celeiro de obreiros comprometidos com este avanço.
Fazendo menção a uma bibliografia extensa para o fundamento de sua palestra, o palestrante citou a importância do discurso de Pedro, em Atos 2, como modelo para a nossa postura diante dos zombadores da experiência do Espírito. Ele disse que, ao citar Joel, profeta canônico do AT, Pedro teve uma “coragem hermenêutica” e uma clareza dada pelo próprio Espírito Santo. Desta forma, entende-se que o movimento pentecostal tem fundamento bíblico sólido e em nada deve retroceder ou se amedrontar diante dos estudiosos descrentes da ação do Espírito Santo. Assim como a Bíblia validou a experiência de Atos 2, não há impedimentos para que a mesma continue a validar a experiência genuína atual do Espírito sobre a Igreja.

Sobre o tema Hermenêutica Pentecostal, o professor falou de alguns caminhos para a sua abordagem. Iniciando pela forma popular de interpretar o texto, depois a forma teológica e em seguida histórica, foi visto que a Hermenêutica Pentecostal em nada fica deficiente no correto estudo das Escrituras. Os seus métodos são claros e a busca do verdadeiro sentido do texto também é pretendida, embora alcançá-lo seja algo que além de não ser tão fácil, ainda é altamente discutível.
Neste sentido, muitos importantes autores foram citados, como John Stott, Gordon Fee e Roger Stronstad, como pessoas humildes que reconhecem que não há intérprete infalível da bíblia, pois a sua interpretação não é feita no vácuo, mas também é fundamentada nos pressupostos daquele que a interpreta.
O palestrante ainda fez menção honrosa ao Pastor Antônio Gilberto da Silva, que com o seu livro “A Bíblia através dos séculos”, publicado em 1995 pela CPAD, iniciou uma linda jornada de conhecimento da Hermenêutica Pentecostal no Brasil, que tanto havia falhado em se atualizar neste assunto, pois ele já vinha sendo discutido há mais de 40 anos em outros países, como a Alemanha, que já possuía muita literatura sobre o tema.
Após a palestra houve um tempo de mesa redonda, com perguntas feitas pelo público, respondidas tanto pelo palestrante, como também por nosso coordenador da FCTP, Prof. Me. Iltemar da Silva, e mediadas, brilhantemente, pelo Prof. Thiago Holanda. Dentre elas, destacou-se a pergunta: “Como posso saber se estou diante de uma experiência genuinamente pentecostal?”

Esta, foi respondida pelo Prof. César com uma história muito engraçada, que na verdade foi um testemunho de milagre, contado por um fiel de sua congregação, sobre um direcionamento pessoal de Deus, que curou um boi recém-comprado deste homem, muito caro e importante para aquele pecuarista.
Na ocasião que o boi havia ficado doente, aquele homem contou com a sua fé em Deus, que ao clamar a Deus, sentiu o direcionamento de Deus que mandou ele despejar um galão de óleo queimado pela boca do animal, que já estava condenado pela equipe veterinária.
No outro dia, o boi amanheceu curado e, assim, foi explicado pelo palestrante que uma experiência genuinamente pentecostal envolve mais do que está escrito na Bíblia, sem contradizer o que nela contém, pois ela foi escrita porque Deus decidiu se revelar e se relacionar com a humanidade.
Desta forma, um relacionamento pessoal com Deus envolve fé, entrega, confiança, ação de Deus e a disposição do homem de se relacionar com Deus, ouvindo a sua voz.
Além de todas as perguntas respondidas durante o Simpósio, nossa equipe teve acesso ao prof. Moisés que ainda nos respondeu mais duas perguntas importantes. São elas:
Como nasceu essa admiração pela hermenêutica pentecostal ou pela teologia pentecostal em si. Ela veio de alguma experiência?
Ela veio sim de uma experiência na Alemanha, em 2010, onde percebi que nós como pentecostais precisávamos salvaguardar, proteger aquilo que é mais caro para a gente, a experiência.
E como é que a experiência se insere no processo de elaboração teológica? Porque presume-se que a experiência seja uma coisa evidencial enquanto a teologia é uma coisa teórica. Porém a Teologia Pentecostal não pode ser uma coisa meramente teórica, ela tem que ter lastro, tem que ter fundamento também na experiência.
Para pensar em teologia você tem que pensar em interpretação bíblica e a experiência na interpretação era outro problema mais sério, então foi isso que me levou a questionar essas coisas de Teologia e Hermenêutica Pentecostal.
Contudo, eu não sabia que essa discussão já existia fora do Brasil, há anos. As coisas não eram propagadas como são hoje, quando basta fazer uma pesquisa no Google e facilmente você tem tudo à mão, inclusive traduzido.

Aquela experiência na Alemanha, pra mim foi pentecostal, pois o Senhor me direcionou a estar naquele lugar e me fez conhecer que o cessacionismo foi o principal responsável pelo fracasso do cristianismo na Europa. Ao contrário do que alguns entendem, não foi o liberalismo o grande vilão do esfriamento espiritual naquele continente.
A experiência Pentecostal não se resume a você falar em línguas estranhas. As experiências que Deus permite que você viva, o direcionamento do Espírito Santo, de estar lá naquele momento, Deus revelar aquilo e direcionar para que eu me aprofunde nesse assunto e escreva ou fale sobre Teologia Pentecostal, constituem uma experiência genuína que só pode ter vindo do Espírito Santo.
Hoje, tenho levantado essa discussão pelo Brasil inteiro. Antigamente, não se ouvia falar em Teologia Pentecostal, hoje é moda, mas eu sofri muito pra isso acontecer; perdi emprego, perdi reputação, fui acusado de liberal e de outras coisas.
Embora eu tenha sofrido bastante, e tudo isso tenha me custado muito caro, sou feliz em defender o que eu defendo.
Hoje não estou sozinho, temos pastores e professores que podem falar livremente disso, mas eu falei numa época em que não se podia falar na mesma frase a palavra “Teologia” e “pentecostal”.
Enfim, foi o Espírito que me direcionou a ir por esse caminho, e hoje a gente tem toda essa discussão e vê toda essa literatura chegando no Brasil, sabendo que este avanço é fruto desse embate. Claro que tivemos outras pessoas que participaram deste movimento. Mas o primeiro que escreveu e que falou sobre isso fui eu mesmo, em 2013.
Já que o senhor falou de sua obra, vejamos o seu livro Pentecostalismo e Pós-modernidade, no qual é discutida a tensão entre experiência e teologia. Como a Igreja Pentecostal pode preservar a centralidade da experiência com o Espírito sem comprometer a profundidade bíblica e doutrinária?
Essa é uma tensão bem legítima, inclusive ela sempre vai existir; você não desprezar a centralidade do texto, mas, ao mesmo tempo, não desprezar aquilo que nos é caro que é a experiência.
Eu acho que o equilíbrio passa justamente pelo fato de que quanto mais leitores estudiosos da Escritura você tiver, mais pessoas com experiências genuínas você terá, inclusive com mais critérios para avaliar estas experiências.
Qual é a experiência genuína? É a experiência que glorifica a Deus.
Qual é a experiência falsa? É a experiência que glorifica o ser humano.
Se eu fico exaltado, se eu sou elogiado, adorado e aplaudido e Deus nada é, então essa experiência não pode ser de Deus, pois a experiência que vem de Deus produz a glória única e exclusiva para Deus. Em seguida, ela também produz a edificação da Igreja.
*Para ver toda a programação on-line e assistir na íntegra, a esta palestra e às demais, nos sigam nas redes sociais e acessem o link: https://www.instagram.com/cidadeteologica

Nós que fazemos parte da Faculdade Cidade Teológica Pentecostal, agradecemos a participação do Prof. Me. César Moisés no 1º Simpósio de Teologia Pentecostal e honramos o seu compromisso em divulgar a Hermenêutica Pentecostal com tanto afinco e dedicação.
Certamente, o Senhor Jesus tem levantado homens e mulheres com a mesma “coragem hermenêutica”, para que a sua Palavra continue sendo falada, interpretada, testemunhada e ensinada por todo o mundo através dos séculos. Com certeza, nem o prof. César e nem todos os outros teólogos pentecostais perderam algumas coisas em vão. Nas palavras dele: “Às vezes tem perdas pessoais que redundam em ganho maior, então eu posso dizer isso hoje, as minhas perdas pessoais foram, para mim, um ganho maior para o Movimento Pentecostal.
Tatiana Rabelo, aluna do curso de Teologia na Faculdade Cidade Teológica Pentecostal, para o Blog FCTP.
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