1. Revelação. O conhecimento de Deus só é possível porque ele se revelou. O conceito de revelação talvez seja o mais básico e fundamental para o cristão. É possível conhecermos a Deus e consequentemente o amarmos e adorarmos, porque Ele se revelou. Sendo Deus Espírito, Infinito, Eterno, Soberano e Criador de tudo o que existe encontra-se numa dimensão absolutamente superior ao homem finito, criatura, frágil e mortal. Em seu poder e em seu amor pelo ser Criado, Deus se aproxima do homem, de forma que este homem consiga entender. É assim que Deus se revela a Abraão, a Moisés, ao garoto Samuel, quando ele ainda nem entendia quem falava com ele. Esta revelação na qual Deus de alguma forma se comunica com o homem é chamada de Revelação Especial, e o registro da Revelação Especial se encontra nas Escrituras, a Revelação Especial por excelência. Através da Revelação Especial compreendemos sobre os atributos morais de Deus, sua santidade, seu amor, sua misericórdia. Mas existe ainda uma Revelação anterior à Revelação Especial que é a Revelação Natural ou Geral. Esta é a manifestação de Deus através de suas obras. Deus se revela nas coisas criadas. Ao observar a criação, o homem pode conhecer o Poder de Deus, sua grandeza e magnificência. Por isso o salmista afirma: Os céus proclamam as obras de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos (Sl 19.1). A revelação geral porém é limitada, para que conheçamos mais sobre Deus é necessária a Revelação Especial. Mas não podemos esquecer que há uma expectativa de posicionamento do homem para que conheça a Deus. Afirma o escritor aos Hebreus: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hb 11.6).
2. Fé. Fé é um conceito teológico, cuja definição pode ser encontrada no texto bíblico. Mas não aprendemos sobre fé porque o Escritor aos Hebreus trouxe-nos o conceito. Toda a Escritura fala-nos da fé. Abraão é chamado de Pai da Fé, mas nas narrativas do Gênesis, só encontramos uma vez uma referência à crença ou a fé: “Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça” (ou “imputou-lhe isto por justiça”) (Gn 15.6). Esta é a primeira vez que a fé/crença é formalmente mencionada como uma relação de confiança em Deus no Antigo Testamento. Entretanto, enquanto no Novo Testamento encontramos o conceito de fé, no Antigo encontramos as histórias que apontam a fé. As histórias de Abraão que crê a ponto de sair da sua terra e da sua parentela, em obediência à voz de Deus para uma terra que Deus lhe mostraria; que obedece e leva seu filho Isaque para ser sacrificado, crendo que voltaria. Para se relacionar com Deus é preciso fé, e a “Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a certeza das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Assim, a fé traz sentido à crença num Deus invisível e nas suas promessas. O povo de Deus se identifica com Abraão em sua caminhada de fé.
3. Povo de Deus. Este é um conceito que vai despontando nas Escrituras a partir de Abraão. Quando Deus fala com Abraão “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gn 12.1-3)” podemos encontrar as características do povo de Deus: Creem e confiam nele, a ponto de obedecerem sua ordem; têm promessas divinas sobre suas vidas, e são bênçãos para os outros. Israel é a descendência de Abraão que deveria cumprir esse papel como povo de Deus. Quando Deus faz Aliança com o povo de Israel no Sinai essa ideia é reafirmada: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel (Êx 19.5-6)”. De alguma forma Jesus utiliza a mesma ideia no seu discurso de despedida: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos (Jo 15.7-8)”. Os discípulos agora são o povo de Deus, que crê, obedece, tem promessas e é uma bênção! Utilizando as mesmas palavras que Deus utilizou na aliança do Sinai, a carta de Pedro define o povo de Deus: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe 2.9)”.
4. Missão. Este é um conceito teológico importante para o cristão. Normalmente quando se fala em missão, muitas vezes se confunde com a ideia de missões transculturais, isto é, a obra missionária além-fronteira. Embora sejam termos que tenham ligação entre si, Missão se trata da ação restauradora de Deus, através da obra redentora de Cristo: “E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus (Cl 1.20)”. Em primeiro lugar a Missão é de Deus, também chamada de Missio Dei. É ele que assume a missão de restauração. Entretanto, o povo de Deus é convocado a participar desta missão, como foi dito a Abraão “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”, reafirmado no Sinai “e vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo”, e na carta de Pedro é detalhado qual a tarefa do povo de Deus na missão divina: “para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Esta é a parte da missão que cabe ao povo de Deus. As missões transculturais fazem parte desta missão, mas é a proclamação, em todos os lugares e povo todo o povo de Deus, que caracteriza a missão!
5. Trindade. Outro conceito teológico muito importante é a Trindade. Esta não é uma palavra que se encontra nas Escrituras, este termo foi proposto por volta do século III para abrigar a ideia de um Deus único que se revela em três pessoas. Este é um dos mistérios da fé cuja explicação não é tão fácil, entretanto, não é uma invenção dos pais da igreja. E todo o cristão verdadeiro precisa conhecer e professar um Deus que é Triúno. Nesse momento o conceito de Revelação encontra o conceito de Trindade. Deus se revela ao homem, em sua revelação especial de forma progressiva. Ele sempre foi o Deus triúno, Pai, Filho e Espírito Santo, entretanto, ele inicialmente se revela como Deus Criador, único, Todo-Poderoso, Deus Altíssimo, com o nome sagrado de Yahweh, que homem nenhum poderia ver a sua glória, e no tempo de Jesus era chamado de “O Pai”. Contudo, um dia, aprouve ao Pai revelar ao mundo o seu Filho. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória como a glória do unigênito de Deus Pai (Jo 1.14)”. E o Verbo se identifica com o Pai, como um único Deus, mas não se confunde com Ele: “Quem vê a mim, vê o Pai (Jo 14.9)”. O prólogo da carta aos Hebreus também ressalta que o Filho é a expressa imagem de Deus: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas (Hb 1.3)”. E quando está se despedindo de seus discípulos Jesus ainda lhes tranquiliza prometendo que enviaria outro Consolador, e o identifica com o Espírito da Verdade, completando a revelação do Deus Triúno: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós (Jo 14.16-17)”. O termo allos (outro) parakletos (advogado/ajudador), representa alguém da mesma essência de Cristo que guia, consola e permanece interiormente. Como sabemos que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1.1)” se o Verbo era Deus, então o Outro Consolador, da mesma essência, é Deus! Eis o mistério da Trindade: Um único Deus, em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo!